Ok, eu posso viver com isso, ela disse.
Prometi a mim mesma, não ser tão invasiva sobre meus dias nos textos, é meio agressivo até a forma como tenho feito, mas é assim que eu funciono.. É quando penso realmente sobre o assunto, o dia..Sei lá.
Serei eu uma adulta presa na sede desmesurada de viver? Na urgência adolescente do excesso? Qual foi a aula da vida que eu perdi e que, aparentemente, todo mundo assistiu? Ou pior, qual foi a aula que eu assisti sozinha, na primeira fila, prestando tanta atenção? E qual foi o vagão do trem que acalma os ímpetos, a mente e o coração das meninas acima dos 20 anos, que eu deixei passar?
Você é obrigado a ser feliz. Você tem a obrigação social de ser animado na mesa do bar, de olhar a vida com positividade (sempre!), de beber cerveja e curtir carnaval, de ser o mais divertido da festa. Você é cobrado pelo sorriso, não importa a dificuldade na sua vida, você tem que agradecer a Deus por estar vivo. E ser feliz.
Não ouse ser triste, por que isso não combina com um bom enredo de samba. E se você abrir a boca para afirmar que não é feliz, que sua vida não é espetacular, que você não supera todos os problemas, que não passa com o trator do humor por cima da crueldade do mundo, então você é doente, precisa com certeza se tratar, isso deve ser alguma depressão.
É difícil entender como ser feliz o tempo todo pode ser uma tarefa fatigante? E se você não for feliz mesmo? Passamos grande parte do nosso tempo provando para os outros como nosso astral é maravilhoso, para que ninguém se incomode com o que incomoda o coração. Somos todos palhaços de um circo sem futuro, onde a maquiagem do sorriso esconde a tristeza da obrigação.
Mudando de assunto..
Ok. Este texto não tem nada a ver com o famoso filme de Al Gore sobre aquecimento global, mas eu prometo que este texto vai sim, dar uma esquentada na sua percepção sobre certas coisas.
Acontece que ter amigos homens desses próximos, que partilham seus segredos e que, vez ou outra, dividem também os grandes mistérios do mundo masculino, tem lá suas vantagens, nem que essas vantagens me façam passar bem próximo da síncope emocional.
Conversando com um desses amigos sobre os destinos dos romancezinhos frustrados, aqueles que começam bem e que, por algum infortúnio inexplicável, acabam em merda eis que, dessa conversa, surge uma das respostas mais urgentes do universo: dar ou não dar?
Não arrumei palavra melhor além de "dar" para explicar a situação. Tá lá, a garota paquerando (paquera é tão anos 80!) o cara há um bom tempo. Ficou encantada, diz ela. Da paquera pra ficada propriamente dita é quase rápido por que, nos dias de hoje, a moral e os bons costumes cof cof cofse afogam rapidamente no copo de vodka mais próximo. E depois da química estabelecida entre os dois (a única matéria de exatas que ela usa na vida prática), do beijo perfeito ela, mulher moderna, decidida, independente se pergunta: sim ou não? dou ou não dou? cumpro ou não cumpro a regra do "só-no-terceiro-encontro"?
Ao que eu respondo: não dê.
(se der, desapareça pelos próximos 15 dias e seja uma vaca, nojenta, carrasca dos infernos: o importante é agir como se ele fosse o último cara pra quem você quisesse dar novamente, no universo.)
Esse "dar" para uma mulher envolve uma série de questões que vão desde a necessidade de afirmação/se sentir gostosa até outros sentimentos mais complexos que geralmente são os responsáveis pelo final infeliz dessa história. E esse "dar" é mais abrangente do que simplesmente oferecer nosso corpo pro abate. Em geral é "doar" e doar pra malandro é um assalto consentido.
Mas vamos supor que somos todas lindas e resolvidas e que o sujeito em questão está todo encantado pelo nosso "jeitinho", e que tudo tem tudo pra dar certo, os ventos estão favoráveis, os astros estão no alinhamento perfeito, o universo conspira positivamente e aí a gente resolve liberar né? Vamos supor isso? Agora vamos descobrir no que isso vai dar?
Porra nenhuma.
O sujeito em questão não tem a sutileza/sensibilidade de perceber as coisas além da obviedade maçante dos padrões da vida dele. Por isso jamais vai achar que você gosta dele de verdade, afinal ele é um escroto e quem gostaria de um escroto né? Nunca vai perceber que você está dando pra ele por que ele merece, por que ele te faz feliz, por que você o elegeu como o cara que vai receber toda a sua gratidão sexual/emocional, por que você enxergou qualquer coisa interessante ali.
O sujeito em questão jamais vai levar em conta que o fato de você dar pra ele significa que você foi desarmada por alguém a quem você quer tão bem. Não ma friend! Você vai passar de garota encantadora/inteligente/diferente/intrigante, a mulher fácil, sem desafio, sem graça e, portanto, sem futuro, em apenas alguns dias. E seu telefone nunca mais vai tocar.
E ele vai te ignorar para todo o sempre, vai catar mais uma dezena de meninas depois de você e todo aquele encanto perdido vai permanecer mais perdido que tesouro de Indiana Jones e não tem nada que você possa fazer pra recuperar essa arca perdida. Não tem reaproximação nem simpatia, não tem desprezo ou ausência, não tem texto que dê jeito. Você virou apenas mais um número da lista dele. Na lista negra claro.
Podem existir exceções à regra, mas a equação é quase tão certa quanto dois mais dois serem quatro. Infelizmente, por mais nojento que possa parecer, o começo de qualquer romance/aventura/pegação, ma friend, é um jogo no qual aquele que se importa dá menos é o que vence e acredite: esse jogo primeiro tem que ser jogado FORA da cama.
Créditos e agradecimentos ao meu amigo, que confessou que sim, todos os homens no fundo são quase iguais e sim, todos acham que mulher é uma presa à solta e que legal mesmo não é traçar, é caçar.
Eu não sei se é o tempo e a idade, ou a quantidade de repetições de uma mensagem, que ensinam que não vale a pena ter razão. Que é sempre melhor ser feliz do que saber tudo. Que a ignorância é a benção que preserva o coração.
Palmas a Carol Burgo. Creditos

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